Controle Populacional: A Maratona Não Acabou

The Economist

Três décadas atrás, muitos estudiosos diziam que o crescimento cada vez maior da população poderia levar a um desastre global. Eles debatiam sobre catástrofes ecológicas, guerra por fontes de recursos naturais e outras tragédias que seriam inevitáveis ao menos que medidas radicais fossem tomadas para neutralizar o iminente colapso populacional. Felizmente, uma mistura de inovação tecnológica, dinamismo econômico e estratégias de controle populacional bem sucedidas ajudaram a reduzir o impacto populacional, até agora.

Enquanto as Nações Unidas comemoraram nesta semana o World Population Day (Dia Mundial da População” em tradução livre) havia uma boa razão para torcer. A expectativa de crescimento da população foi revista em seus mais variados cenários para levar em consideração a queda nos índices de fertilidade não somente na Europa e Japão, mas também nos países pobres como Bangladesh e Quênia. Stan Bernstein do UN Population Fund (Fundo Populacional das Nações Unidas) até insistiu afirmando que “isso é uma das grandes estórias de sucesso em desenvolvimento nos últimos 40 ou 50 anos”, apontando que o constante uso de técnicas de planejamento familiar em países em desenvolvimento passou de 10% a 12% na primeira metade da década de 60 para cerca de 60% atualmente.

Isso é impressionante, mas há um segundo, menos feliz estória. O mundo inteiro tem tentado segurar o problema do crescimento populacional, principalmente nas camadas menos favorecidas da população. Mona Byrkit da CARE (Organização não-Governamental que visa combater a pobreza), chama isso de grandioso trabalho inacabado do movimento de controle populacional.

Em um relatório apresentado esta semana, peritos do Banco Mundial mostraram que 35 países (31 deles no sub-Sahara africano) estão muito atrasados, com elevadíssimas taxas de fertilidade e acesso limitado a técnicas de planejamento familiar. Em contraste com o relativo sucesso que muitos países pós-soviéticos vêm observando com a elevação do uso de contraceptivos, um investigador da agência demonstrou como as mulheres africanas são forçadas a abortar como sendo um “contraceptivo de último caso” – algumas vezes com resultados fatais.

Problemas como este, segundo Sadia Chowdhury, um dos autores do relatório, é o que a agência chama de “necessidades inapropriadas de contracepção”.

O que isso quer dizer? Dinheiro não é o motivo principal. Na maioria dos países em desenvolvimento, contracepção é uma teoria disponível aos indigentes gratuitamente ou a um custo nominal bancado pelo Estado. O problema é que essas burocracias são ineficientes, incompreensíveis e incapazes de serem eficazes em zonas rurais.

A política claramente tem um papel fundamental. Um fator, diz Byrkit, é o social conservadorismo da administração Bush, que torna difícil para todos receber os fundos americanos (para HIV/AIDS, por exemplo), e até mesmo trabalhar com caridade promovendo abortos conscientes. Outro problema é o momento da política atual. O sucesso em grande parte do mundo em limitar a população está entusiasmando.

Segundo Bernstein, chama isto de “o final da primeira etapa da maratona declarada da corrida antes do restante dos corredores cruzar a linha de chegada”.

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Sobre Ronaldo
Brasil, Sul, Homem, de 35 a 40 anos, português, inglês

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