Os Economistas são realmente malignos…ou apenas repugnantes?

Do Blog Freakonomics

A idéia da mudança do que é repugnante é fascinante. Por que um comportamento é considerado repugnante enquanto outros são aceitáveis? E como e por que tais demarcações mudam com o tempo?

Meu exemplo favorito é o seguro de vida. Há muito tempo, era considerado mórbido fazer uma aposta que lhe permitiria lucrar no caso da morte de um ente querido. Agora é incomum não fazê-lo.

O New York Times publicou recentemente um artigo de Patricia Cohen sobre um painel do Instituto Americano do Empreendimento sobre a noção de repugnância e como ela afeta o que pode ser comprado e vendido – como, por exemplo, um mercado de órgãos humanos.

O que chamou minha atenção foi uma citação de Paul Bloom, um professor de psicologia da Universidade de Yale. Seu argumento era de que os economistas estavam olhando para o assunto da forma errada, fazendo suposições baseadas em economia de mercado.

“O problema não é que os economistas não sejam pessoas razoáveis, mas sim que são pessoas do mal”, disse Bloom no artigo. “Eles trabalham em um universo moral diferente. O ônus da prova cabe a alguém que queira incluir uma transação no mercado.”

Os economistas são “pessoas do mal”?

Eu espero que Bloom estivesse brincando, apesar de não haver indício no artigo de que estivesse.

Eu não sei ao certo o que Bloom quis dizer. Talvez o público em geral veja os economistas como “do mal”, já que analisam o mundo tão friamente e parecem dispostos a colocar um preço em qualquer coisa.

Mas se for o caso, eu argumentaria que o motivo para considerar os economistas como “do mal” é o mesmo motivo para considerá-los valiosos.

Apesar de haver algumas exceções dignas de nota, os economistas estão atualmente entre os poucos grupos de pessoas dispostas a analisar uma questão – seja transplante de órgãos, corrupção política ou orientação sexual – sem se curvar à sabedoria convencional, preocupações sociais ou valores morais.

Logo após Bloom ter lido um item sobre este assunto no Freakonomics.com, eu recebi um e-mail dele.

“Sim, meu comentário sobre economistas do mal foi uma piada”, ele escreveu.

“Eu argumento que os economistas tendem a racionar de forma conseqüente e são menos sensíveis a outras considerações como tabu, repulsa, status quo, preconceito e assim por diante”, prosseguiu Bloom. “Eu de fato acho que os economistas em geral estão certos em fazê-lo, e argumento em particular que a repugnância é inútil como guia para o comportamento moral. Então, não, eu não acho que você seja do mal.”

Stephen J. Dubner

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